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Terremoto

Chile: governo admite erro ao descartar risco de tsunami após tremor; ondas devastam costa


O governo chileno admitiu, neste domingo, que a Marinha do país cometeu um "erro de diagnóstico" ao descartar a formação de um tsunami na região costeira do país após o terremoto de 8,8 graus de magnitude que atingiu o centro-sul do Chile no sábado, matando 711 pessoas.



- Houve um erro. A Marinha errou ao não alertar imediatamente sobre o tsunami - disse o ministro da Defesa, Francisco Vidal, a jornalistas depois de participar de uma reunião do comitê de emergência liderado pela presidente Michelle Bachelet. - Felizmente, o erro foi consertado a tempo de salvar centenas, quem sabe milhares de pessoas (...) Mesmo com o erro de diagnóstico, conseguimos alertar boa parte da população, que se dirigiu em direção às colinas (...) Sem esse aviso, estaríamos lamentando mais vítimas.



Imediatamente após o terremoto, que ocorreu às 03h43 de sábado, Bachelet descartou a possibilidade de um tsunami e pediu calma à população. No entanto, grandes ondas de até 10 metros de altura varreram uma longa faixa costeira do centro-sul do país, matando centenas de pessoas. As regiões mais atingidas foram Bío Bío - onde fica Concepcíon, a segunda maior cidade do Chile e a mais próxima ao epicentro do terremoto ocorrido no mar, a 35 quilômetros de profundidade - e Maule, onde cerca de 600 pessoas morreram.



Mas os efeitos da devastação do tsunami que se seguiu ao sexto terremoto mais intenso da História só começaram a ser mais bem avaliados no domingo. Casas foram completamente destruídas pelas águas, carros entraram em edifícios e barcos foram parar nas ruas com a força das águas. Segundo Carmen Fernández, diretora do Bureau Nacional de Emergências (Onemi), os estragos da tsunami ainda não foram completamente avaliados e ainda é cedo para informar o número exato de vítimas na região.



A Cruz Vermelha chilena afirmou que mais de dois milhões de pessoas foram afetadas pelo tremor em todo o país. Até o momento, 711 mortes foram confirmadas em todo o país. Mas esse número pode aumentar bastante, já que cerca de 400 pessoas continuam desaparecidas. Outro problema são as réplicas - mais de 120 até agora - registradas desde sábado. Os tremores secundários variaram de 4, 9 a 6, 9 em magnitude, levando apreensão e pânico à população de várias cidades.

Governo impõe toque de recolher para evitar caos



Em meio à tragédia, pessoas desesperadas por água e comida começaram a saquear casas e estabelecimentos comerciais. Em Concepción, cerca de 150 pessoas usaram até pequenas retroescavadeiras para abrir a porta de ferro de um mercado no centro da cidade. Assim que entraram, alguns invadiram a seção de eletrônicos e eletrodomésticos. A polícia reagiu usando bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar os manifestantes.



- É para meu filho. Não temos onde comprar, a cidade está toda fechada - dizia um senhor, equilibrando pilhas de latas nos braços.

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Os Ministérios do Interior e da Defesa decretaram estado de catástrofe na região - o que permite, entre outras medidas, o envio das Forças Armadas para as ruas - e o governo decretou toque de recolher nesses locais a partir das 21h para evitar novos saques.

Presidente eleito quer estado de catástrofe no país todo



Outra preocupação das autoridades é o resgate das vítimas . Em Concepción, pelo menos 100 homens, mulheres e crianças ainda estariam presas nos escombros de um prédio que desabou.



- As horas e o tempo são o fator crítico para salvar as pessoas que estão aqui dentro - disse a prefeita da cidade, Jacqueline van Rysselberge, que, em seguida, criticou o governo chileno pela demora no envio de equipes de socorro. - É uma vergonha que não tenham conseguido chegar sábado.



Segundo a polícia rodoviária, a viagem à região, que antes se fazia em seis horas de carro, está durando até 12 horas. Além de haver rachaduras nas estradas, só é permitida a passagem de veículos pequenos. A Ponte Velha, principal porta de entrada e saída do município, também veio abaixo.

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Brasileiro pode ter morrido no terremoto no Chile



O embaixador do Brasil no Chile, Mário Vilava, disse ao GLOBO que as autoridades trabalhavam para tentar confirmar a informação de que pelo menos um brasileiro estaria desaparecido desde a tragédia. Ele estaria em Concépcion, mas não havia, até o fim da tarde confirmação oficial.



A embaixada formou uma força-tarefa para dar auxílio aos brasileiros. Por precaução, funcionários do consulado geral do Brasil naquele país também deixaram o escritório monde trabalhavam, no 15º andar de um prédio comercial, e estão atuando na sede da embaixada, no térreo.


Fonte: O Globo



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