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Incerteza em relação à inflação motivou alta de Selic, diz BC
Segundo ata do Copom, aumentaram os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, dentro da meta
O Banco Central teve que agir de forma "incisiva" para evitar que a maior incerteza em relação à inflação detectada no curto prazo se propagasse para um horizonte mais longo. Essa foi a justificativa do Comitê de Política de Monetária (Copom) do Banco Central para elevar, na semana passada, a taxa Selic de 8,75% para 9,50%.
De acordo com a ata da reunião, divulgada nesta quinta-feira, 6, pelo BC, aumentaram os riscos para a concretização de um cenário benigno para a inflação, mesmo depois da reversão de uma parcela substancial dos estímulos adotados durante a crise financeira. "Desde a última reunião, aumentaram os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual a inflação seguiria consistente com a trajetória das metas", justifica o BC. A decisão do Copom foi por unanimidade.
A projeção de inflação medida para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano voltou a aumentar, de acordo com ata divulgada pelo BC. Segundo o documento, no cenário de referência - que leva em conta Selic a 8,75% e câmbio a R$ 1,75 - a projeção de inflação se mantém "sensivelmente" acima do valor central de 4,50% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Na reunião de março, o cenário de referência foi de uma taxa de câmbio de R$ 1,80 e taxa Selic de 8,75%.
A projeção de reajuste de energia em 2010 caiu de 3,3% para 0,7%, de acordo com ata do BC. A projeção de preços administrados caiu de 4% para 3,6% em 2010. O BC manteve na ata projeção de reajuste zero de gasolina e gás de bujão em 2010. Também manteve em 1,6% projeção de tarifas de telefonia fixa e de eletricidade. A projeção de reajustes dos preços administrados para 2011 foi mantida em 4,4%, segundo o cenário de referência.
No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros apuradas pelo BC junto a analistas no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2010 também se elevou, e se mantém sensivelmente acima do valor central da meta para a inflação.
Para 2011, no cenário de referência, a projeção elevou-se em relação ao valor considerado na reunião de março, e se encontra sensivelmente acima do valor central da meta. No cenário de mercado, a projeção também se elevou, no entanto se posiciona ao redor do valor central da meta.
O Comitê de Política Monetária (Copom) enxerga um contexto de "virtual esgotamento" da margem de ociosidade na utilização dos fatores de produção da economia. Na ata de março, o BC ainda falava em "acelerada redução da margem de ociosidade" e não de esgotamento virtual.
Nesse novo contexto, a autoridade monetária reiterou que os principais riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno derivam, no âmbito externo, do comportamento dos preços das commodities e, no interno, do impacto dos impulsos fiscais e de crédito que ainda estão sobre a economia. "Com efeito, esses desenvolvimentos podem exacerbar um quadro que já evidencia a presença de descompasso entre o crescimento da absorção doméstica e a capacidade de expansão da oferta", diz o documento.
Ata evidencia o aquecimento da economia
A ata ainda apresenta uma importante lista dos sinais que evidenciam o aquecimento da economia: a elevação das expectativas de inflação; a trajetória dos núcleos de inflação; os indícios de escassez de mão-de-obra em alguns segmentos e a alta dos custos dos insumos. Para o Copom, houve uma deterioração do cenário prospectivo para a inflação, que precisa ser contida.
Na ata da reunião anterior, realizada em março, o Copom não falava em sinais de aquecimento. Dizia apenas que a economia brasileira já se encontrava em um ciclo de expansão, com uma incerteza de que seria dirimida ao longo do tempo. Na ata desta quinta, referente à reunião do Copom da semana passada, na qual a taxa Selic subiu 0,75 ponto porcentual, os integrantes do Comitê também destacam que a economia já se encontra em novo ciclo de expansão. A ata repete a avaliação de que ainda persistem incertezas, que deverão ser dirimidas ao longo do tempo, sobre o ritmo desse processo.
"O Copom considera que essa deterioração deva ser contida e, para tanto, precisam ser revertidos os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas, que, em última instância, tendem a aumentar o risco para a dinâmica inflacionária", destaca o documento. De acordo com o BC, diante dessas circunstâncias, a postura de política monetária deve ser ajustada. Por um lado, porque contribui para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta, e, por outro, porque evita que pressões de preços originalmente isoladas determinem uma deterioração persistente do cenário prospectivo para a inflação.
Decisão de aumentar a Selic foi consenso
A ata do Copom destacou que houve consenso entre os membros do Comitê sobre a necessidade de se adequar o ritmo do ajuste da taxa básica de juros à evolução do cenário inflacionário prospectivo e o balanço de riscos. O objetivo, segundo o BC, é "limitar os impactos causados pelo comportamento da inflação corrente sobre a dinâmica subjacente dos preços".
De acordo com a ata,o Copom orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação, a análise de diversos cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica prospectiva dos preços e o balanço dos riscos associado a suas projeções.
Fonte: Estadão
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