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Em Moscou
Lula diz que fará 'o melhor' para promover diálogo sobre o programa nuclear do Irã
Em visita a Moscou, onde foi recebido pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta sexta-feira, que fará o seu melhor durante sua viagem a Teerã para promover o diálogo sobre o programa nuclear do Irã. Depois de visitar a Rússia, Lula partirá para o Catar antes de chegar a Teerã, no sábado, onde terá encontro com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O presidente brasileiro tem sido alvo de pressões de líderes internacionais, para os quais os resultados de sua viagem podem ser a última chance para a República Islâmica escapar da imposição de novas sanções negociadas na Organização das Nações Unidas (ONU).
- Vou fazer o meu melhor para convencer meus parceiros sobre a necessidade de diálogo - disse Lula, no Kremlin, após o encontro com o presidente russo, fazendo referência a sua viagem a Teerã.
Assim como o Brasil, a Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, também vem se posicionando contra a imposição de novas sanções ao Irã antes que as possibilidades de diálogo tenham se esgotado. Mas países como França e, especialmente, os Estados Unidos, lutam pela aprovação das medidas nas Nações Unidas.
Uma autoridade de primeiro escalão do Departamento de Estado dos EUA disse na quinta-feira, sob condição de anonimato, que a viagem do presidente brasileiro talvez "seja a última grande chance do Irã". O presidente francês, Nicolas Sarkozy, já havia telefonado para Lula, na quarta-feira, dizendo que seu encontro com Ahmadinejad é "a grande chance para um entendimento".
Jornal diz que Brasil desafia EUA e ativistas pressionam Lula em São Paulo
Apesar das expectativas positivas, a viagem de Lula também vem sendo alvo de críticas. Em reportagem publicada nesta sexta-feira, o jornal britânico "Financial Times" avalia que o Brasil está desafiando a política externa dos EUA ao tentar mediar um diálogo com o Irã. Em entrevista ao jornal, o embaixador americano em Brasília, Thomas Shannon, afirma que a medida que o governo brasileiro afirma sua influência, sua postura "está nos desafiando porque significa que temos de repensar a forma como entendemos nosso relacionamento".
Em São Paulo, representantes de grupos de direitos humanos cobraram, na quinta-feira, uma posição mais firme do governo brasileiro em relação às violações das liberdades no Irã, realizando um ato público na Assembleia Legislativa. As Organizações Não Governamentais querem que Lula exija de Ahmadinejad explicações sobre a execução de prisioneiros políticos e de pessoas que pertencem a um grupo de minoria curda.
Fonte: O Globo
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