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Nadal dá o troco em Federer, levanta taça em Madri e vira o rei dos Masters
Na Caixa Mágica lotada, espanhol se vinga da derrota para o suíço em 2009, conquista seu 18º título de Masters 1.000 e supera marca de Andre Agassi
Já corria um ano desde que Rafael Nadal e Roger Federer tinham dividido uma quadra de tênis pela última vez. Foi justamente em Madri, quando o suíço venceu o Masters 1.000 de 2009 no quintal do adversário. Desta vez, como se não bastasse a chance de testemunhar o reencontro, a torcida que lotou a Caixa Mágica teve mais motivos para sorrir. O espanhol devolveu o revés do ano passado e bateu o número 1 do mundo neste domingo por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 7/6. O tenista de 23 anos, que na segunda-feira assume a vice-liderança do ranking, não fez nenhuma questão de economizar vibração: diante de seus compatriotas, jogou-se no saibro madrileno e festejou. Muito.
Foi o segundo título de Nadal em Madri e o 18º de Masters 1.000 na carreira, superando os 17 de Andre Agassi. O impressionante é que o americano faturou sua 17ª taça aos 34 anos, 11 a mais que a idade atual do espanhol.
Foi a 14ª vitória de Nadal sobre Federer num total de 21 confrontos diretos, incluindo seis triunfos nos últimos sete duelos. No piso lento, a vantagem é devastadora: 10 a 2 para o Miúra. Em 15 partidas disputadas no saibro neste ano, ainda não foi desta vez que o espanhol sentiu o sabor da derrota. A alegria espanhola explodiu ao mesmo tempo nas duas principais cidades do país: enquanto o tenista nascido em Mallorca fechava a partida em Madri, o time de Messi conquistava o bicampeonato nacional do futebol em Barcelona.
O jogo
Com a tarde chegando ao fim na capital, mas o sol ainda batendo forte na quadra, Nadal entrou na Caixa Mágica carregando seu material sob intensos aplausos do público. Das arquibancadas também veio o respeito por Federer, reverenciado mesmo longe de casa. Após o aquecimento, já eram quase 14h (no horário de Brasília) quando os tenistas deram início ao 17º confronto direto em uma final de torneio, três a menos que a dupla recordista – Ivan Lendl e John McEnroe, que decidiram taças 20 vezes.
Federer começou a partida confirmando seu saque e teve uma chance de quebrar o do adversário no segundo game. Não aproveitou e pagou caro logo em seguida. Nadal fez valer um dos seus três break points e conseguiu a quebra para abrir 2/1. O espanhol, contudo, não demorou a retribuir a gentileza. Com erros forçados no quarto game, permitiu que o suíço igualasse o placar e o número de quebras.
Os dois tenistas defenderam seus saques por mais dois games, e no quinto o número 2 do mundo foi buscar mais uma quebra. Não que ela tenha saído fácil. Federer salvou os quatro primeiros break points, mas no quinto jogou a bola na rede e viu o rival abrir 4/3. Foi a senha para Nadal partir decidido a fechar a parcial. No décimo game, sacando para o set, o espanhol sofreu. Durante 10 minutos, derrubou quatro chances de quebra do adversário até confirmar o serviço e fechar em 6/4. Ao fim da maratona, pulou, vibrou e cerrou os punhos. Mas era apenas a metade do caminho que levava à taça.
Federer resiste até o fim
O segundo set já começou com um revezamento de quebras. Nadal roubou no primeiro game; Federer devolveu no segundo e abriu 2/1 logo depois. Quando parecia que o suíço engrenaria a reação, a resposta espanhola foi implacável. Nadal empatou em 2/2 e voltou a comemorar muito quando arrancou a quebra no quinto game, para o delírio da torcida nas arquibancadas. Após duas confirmações, o jogo parecia caminhar tranquilo para o título do dono da casa. Federer, contudo, não estava disposto a jogar a toalha.
O suíço desperdiçou dois break points, mas conseguiu outra quebra, igualando o placar da segunda parcial em 4/4. Em seguida, virou ao encerrar o nono game com dois aces inapeláveis. Nadal devolveu e igualou a disputa outra vez, mas permitiu o 6/5 do rival e se viu com a corda no pescoço. A pressão não assustou o vice-líder do ranking, que forçou o tie-break.
O game decisivo transcorreu como uma gangorra. Federer fez 2 a 0, permitiu o empate, brilhou ao abrir 4 a 2, mas viu o rival igualar a disputa outra vez. Mais que isso: Nadal virou para 6 a 4 e fez a torcida vibrar com o duplo match point. Federe salvou o primeiro, mas não o segundo. Era o 18º título de Masters 1.000 do Miúra. Meio incrédulo, ele levou as mãos à cabeça, foi até a rede para cumprimentar o arquirrival e, enfim, desabou para esticar o corpo no saibro. Não existe hoje outro casamento tão feliz entre um tenista e um piso.
Fonte: Globoesporte
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