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A vez do pulso firme
Comando firme de vestiário, experiência vasta e aposta nas categorias de base são as características essenciais que o vice de futebol do Inter, Giovanni Luigi, procura para substituir Abel Braga. Às 15h de ontem, o técnico comunicou oficialmente à direção que o Al-Jazira, dos Emirados Árabes, havia enviado o fax assegurando o contrato de US$ 2 milhões por 10 meses.
Muricy Ramalho e Paulo Autuori são os preferidos para substituí-lo. Guto Ferreira assume interinamente. Certo é que o técnico não será estrangeiro e tampouco um novato, como um profissional que tenha se destacado no Gauchão, por exemplo.
- Nós temos que acertar - afirmou Luigi, referindo-se à experiência fracassada com Gallo, em 2007.
Nomes como Tite e Carlos Alberto Parreira estão descartados. O dirigente garante que não sabia da iminente saída de Abel. Conversou pela primeira vez sobre as sondagens do futebol árabe na noite de sábado, depois do empate em 1 a 1 contra o Sport, no Beira-Rio. Na verdade, após a longa coletiva em que o técnico revelou: tinha proposta do Al-Jazira, equipe que o Inter enfrentara em partida amistosa no final da pré-temporada, em Abu Dhabi.
Abel fez contraproposta. Exigiu quase o dobro do valor inicial. No final da manhã de ontem, a minuta com a cópia do contrato assinado pelo Al-Jazira chegou via fax, garantindo as exigências de Abel.
O técnico, então, ligou para Luigi, que estava em casa tratando de uma forte gripe, e os dois se encontraram às 15h. Abel mostrou o documento e pediu demissão. O vice de futebol comunicou ao presidente Vitorio Piffero, e logo a notícia foi publicada no site oficial do clube.
Por volta das 16h, Zero Hora ligou para o celular de Abel Braga. Quem atendeu foi o auxiliar-técnico Roberto Moreno, o Robertinho. Enquanto argumentava que o treinador estava almoçando com a família, Abel gritava ao fundo:
- Diz que eu não vou atender. Não vou falar, não vou falar!
As primeiras especulações sobre a saída surgiram ainda em Recife, quando o time foi eliminado da Copa do Brasil pelo Sport. A direção e o técnico negaram tudo. Abel se irritava quando alguém o questionava a respeito. Segundo ele, era "estratégia" para desestabilizar o time na decisão.
Luigi e o presidente Vitorio Piffero queriam que ele ficasse. Nem as derrotas em seqüência no Brasileirão abalaram o prestígio do treinador no Beira-Rio. Por isso, a surpresa de sexta-feira, quando Abel falou sobre a possibilidade de ir para o Exterior. Hoje à tarde, o técnico vai ao Beira-Rio para se despedir do grupo de jogadores.
Fonte: Zero Hora
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