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Milícia que torturou jornalistas de 'O Dia' ainda está impune


Apesar de afirmar que a Polícia Civil já identificou os milicianos que controlam a Favela do Batan, em Realengo, onde uma equipe do jornal "O Dia" foi torturada no dia 14 de maio , o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse neste domingo, em entrevista coletiva, que a comunidade continua dominada pelo bando. Ele admitiu que moradores podem estar sofrendo conseqüências após a divulgação da reportagem sobre o caso, mas afirmou que não "pode antecipar situações". Um morador do Batan também foi torturado junto com a equipe. Até a noite deste domingo, nenhum integrante da quadrilha havia sido preso.



" A atuação de milícias é um crime fácil de identificar, mas muito difícil de se provar "



- A atuação de milícias é um crime fácil de identificar, mas muito difícil de se provar. Posso ir a um determinado lugar, encontrar um policial armado à paisana, usando a carteira funcional, que ao ser inquirido pode dizer, como diz rotineiramente, que está ali passeando, de folga, que seus familiares moram naquela região. E eu não tenho como provar algo diferente - argumentou Beltrame, que acrescentou: - Num caso desses, onde se trabalha com uma logística muito pequena, temos que esperar a denúncia efetiva, sob pena de todas as pessoas quererem uma vigilância, uma segurança. Temos que ter critérios muito justos para estabelecer isso.

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O secretário disse ainda que policiais, "não só militares", estão entre os identificados. Ele ressaltou que uma operação realizada na noite de sábado na favela, pelo 14º BPM (Bangu), nada teve a ver com os trabalhos de investigação sobre a quadrilha. Segundo o registro da 33ª DP (Realengo), PMs que estavam de plantão receberam por rádio a determinação de que deveriam ir até à favela para reprimir a ação da milícia no local. Numa casa, no centro da comunidade, foram encontrados equipamentos de TV a cabo, 150 botijões de gás, 17 galões de água, cinco revólveres, além de um casaco camuflado, um radiocomunicador e um carregador de celular. Ninguém foi preso.



Sobre o morador que estava com a equipe, Beltrame disse não ter informações de que ele estivesse sendo ameaçado ou de que houve algum pedido de proteção ao estado. O secretário ressaltou a importância do trabalho da imprensa e disse que os profissionais envolvidos na reportagem foram "muito corajosos". Ele admitiu que ainda há risco para a equipe, mas acredita que o pior já passou.


Fonte: O Globo



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