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Preço da gasolina cai mas, segundo sindicato, situação é temporária


Exatamente um mês após o governo anunciar o reajuste dos combustíveis nas refinarias, gerando expectativa de inflação no preço final da bomba, os postos de Curitiba surpreenderam os consumidores com uma queda no preço da gasolina e do álcool. O litro da gasolina, vendido, em média, por R$ 2,29 entre os dias 25 e 31 de maio, podia ser encontrado ontem por R$ 2,24, em média, tendo como preço mais baixo R$ 2,139 o litro. Já o álcool, que no mesmo período caiu de R$ 1,31 para R$ 1,29, podia ser comprado a R$ 1,19 no posto mais barato.



Mas o comportamento é considerado atípico e deve durar pouco tempo, na avaliação do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese. “Não há nenhum ingrediente de mercado que justifique essa baixa, a não ser uma situação em que a concorrência leva a autofagia, com postos praticando preços próximos ao custo. Isso é insustentável e daqui a pouco teremos que explicar porque o preço subiu novamente.”



O proprietário do Posto Monalisa, Newton Gusso, atribui a queda à concorrência, indicando um possível dumping [prática comercial, geralmente desleal, que consiste na venda de produtos a preços mais baixos que os custos, visando prejudicar a concorrência]. “O que aconteceu não foi uma baixa, foi uma depredação do mercado por um grupo que tem outros interesses que não é comercializar combustível”, acusa Gusso. Segundo o comerciante, um posto precisa de pelo menos R$ 0,30 de margem por litro de gasolina. Atualmente, o preço do litro combustível na distribuidora gira em torno de R$ 2,07 e a venda nos postos, R$ 2,139 – com margem de R$ 0,069 por litro, não é possível cobrir todos os custos de funcionamento.



Para Fregonese os estabelecimentos que reduzem demais a margem de lucro podem estar vendendo combustíveis adulterados. “Os milagreiros do mercado acabam vendendo um litro de 900 ml.” A orientação do sindicato é para que o cliente peça sempre nota fiscal e caso desconfie da procedência do combustível exija a realização do teste de qualidade – que dura menos de cinco minutos e é obrigatório para todos os postos.



Álcool



O álcool hidratado (utilizado para abastecer veículos) e o álcool anidro (que compõe 25% da gasolina) apresentam quatro semanas de quedas sucessivas, influenciado por um aumento gradativo de oferta com o início da safra da cana-de-açúcar, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP).



A queda no preço do álcool também pode refletir no da gasolina. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio ao consumidor da gasolina no mês de maio foi de R$ 2,40 no início do mês, passando, nas semanas subseqüentes, para R$ 2,38 e R$ 2,35, até chegar ao índice da semana passada (R$ 2,29). Mesma coisa ocorre com o álcool: os índices foram de R$ 1,42 a R$ 1,41, depois R$ 1,36 e, finalmente, R$ 1,31.



O preço médio do álcool (R$ 1,29 por litro) – abaixo de 70% do valor do litro da gasolina (R$ 1,56) – mantém este combustível mais vantajoso para os proprietários de carros bi-combustíveis.


Fonte: Gazeta do Povo



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