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Barack Obama conquista nomeação democrata
Foi uma vitória suada, sofrida. Mas, no último minuto do último assalto, o senador Barack Obama confirmou o seu favoritismo e conquistou a indicação do Partido Democrata para disputar com o republicano John McCain as eleições presidenciais de novembro. Segundo projeções das redes de TV CNN e MSNBC, nesta terça-feira, enquanto o partido realizava as últimas primárias do seu calendário, o candidato ultrapassava a marca de 2.118 delegados, número necessário para garantir a nomeação, tornando-se o primeiro afro-americano a concorrer à Presidência dos EUA (Saiba mais nos blogs de Marília Martins e Meirelles Passos ).
Barack Obama comemorou a vitória histórica com um discurso para simpatizantes e partidários em Saint Paul, no estado de Minnesota, assim que as urnas da Dakota do Sul e de Montana foram fechadas, pouco depois das 23h. O senador conquistou 57% dos votos em Montana, enquanto a ex-primeira-dama obteve 41%. Em Dakota do Sul, Hillary venceu com 55% dos votos, Obama ficou com 45%.
- Hoje à noite, nós marcamos o fim de uma jornada histórica com o começo de outra - disse Obama. - Hoje eu posso ficar diante de vocês e dizer que eu serei o candidato democrata para presidente dos Estados Unidos.
A vitória de Obama sobre Hillary, projetada pelas redes de TV americanas, veio em uma das mais acirradas disputas pela nomeação na história recente dos EUA. Foram cinco meses de votações e 54 idas às urnas.
Debandada de funcionários de Hillary nos bastidores
- Vocês decidiram que a mudança deve chegar a Washington. Vocês acreditam que este ano deve ser diferente de todos os outros - disse o candidato, que agradeceu a todos os outros pré-candidatos do partido, especialmente à sua rival, a senadora Hillary Clinton, que lutou até o fim pela nomeação.
- Hillary Clinton fez história nesta campanha. E não apenas por chegar onde nenhuma outra mulher havia chegado antes, mas por ter servido de inspiração para milhões de americanos - disse o candidato em seu discurso.
Segundo Obama, o Partido Democrata não vai ficar dividido por causa da longa e cansativa disputa pela candidatura à Presidência.
- Esta noite nos unimos para dar um novo rumo aos EUA.
Obama ainda aproveitou para devolver ataques do candidato republicano John McCain, que disse ser um candidato que segue as políticas do governo Bush.
Apesar de todos os fatos, Hillary Clinton surpreendeu ao se recusar a anunciar a desistência de sua campanha. Em um emocionado discurso em Nova York, a ex-primeira-dama disse que só tomará alguma decisão nos próximos dias. E foi além. Pediu o "aconselhamento" dos eleitores que votaram nela durante as primárias - cerca de 18 milhões, segundo as suas contas.
- Não vou anunciar nenhuma decisão hoje. Quero que vocês vão até o meu site e digam o que gostariam que eu fizesse daqui para frente - pediu ela,
Horas antes, contudo, Hillary reconhecia, pela primeira vez, num encontro com parlamentares em Nova York, que estaria interessada em formar uma chapa com o senador e concorrer à vice-presidência. A declaração foi dada numa teleconferência com políticos de Nova York, quando a deputada Nydia Velásquez disse que Obama tinha seu nome como primeira opção para uma "chapa dos sonhos".
- Estou aberta a essa possibilidade, se for ajudar o partido em novembro.
Aceitar o posto de vice-presidente significa para Hillary desistir da outra possibilidade que se abria para ela, no caso de uma volta ao Senado: ocupar a liderança do partido, deixada pelo senador Ted Kennedy, que se recupera de uma cirurgia cerebral. No Senado, muito se comentava que o fim de uma dinastia progressista - a dos Kennedy - seria substituída por outra, a dos Clinton. Segundo alguns, Hillary já teria apoio suficiente para conquistar a liderança. Mas outros especialistas garantem que ela voltará a ser uma senadora de segunda linha, por ser considerada uma novata (está em seu segundo mandato) que nunca foi líder de uma comissão do Congresso.
Primárias: Hillary Clinton diz não estar pronta para seu 'obituário político'
Uma chapa comum, por sua vez, ajudaria a acalmar uma possível revolta do eleitorado feminino. Uma pesquisa do Pew Research mostrou que 8% das eleitoras democratas votariam em John McCain caso Hillary não fosse a indicada do partido. Outra pesquisa, do Instituto Gallup, revelou que apenas 42% dos eleitores de Hillary garantiam o voto em Obama na eleição de novembro, e disseram estudar a possibilidade de votar no candidato republicano. Obama também poderia melhorar seu desempenho noutro eleitorado de forte peso para as eleições de novembro: os eleitores hispânicos, sobretudo em estados como Flórida, Califórnia e Nova York, onde o senador perdeu as prévias democratas.
O Gallup também mostrou que a liderança de Obama aumentou nacionalmente: Obama tem agora 48% das intenções de voto contra 44% de McCain.
Fonte: O Globo
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