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Yeda quer um tucano na Casa Civil

Depois das demissões


Arrebatada pela maior crise política desde que assumiu, em janeiro de 2007, a governadora Yeda Crusius começará hoje a reestruturar o primeiro escalão e a definir o novo comandante da pasta de maior peso político: a Casa Civil. O PSDB pede o cargo para o deputado federal Claudio Diaz, que tem a simpatia de Yeda.



A reforma profunda no governo foi afiançada pelos partidos da base no sábado. Em reunião do seu conselho político, a governadora mediu a temperatura entre os aliados, restabeleceu os laços e obteve o sinal verde para fazer mudanças.



- A governadora já tem o apoio dos partidos. O secretariado será recomposto naturalmente - disse o secretário-geral do PSDB e secretário de Infra-estrutura e Logística Daniel Andrade.



O principal nó da reestruturação é a Casa Civil. Depois de PMDB e PPS ocuparem a vaga, Yeda quer um nome de confiança e do seu partido.



Em 18 meses de gestão, será o terceiro ocupante do cargo. Responsabilizado pela derrota na Assembléia Legislativa do pacote de aumento de impostos, em novembro, Fernando Záchia (PMDB) foi remanejado para a pasta do Desenvolvimento em janeiro. Em seu lugar, assumiu Cézar Busatto (PPS), conhecido pelo seu perfil de negociador. Foi exonerado no sábado, um dia depois de o vice-governador Paulo Feijó tornar pública gravação de conversa em que o ex-chefe da Casa Civil fala que Detran, Daer e Banrisul são fontes de financiamento de campanhas eleitorais.



Governadora reúne hoje pela manhã o conselho político



Desde o início da administração, os tucanos sonham com a Casa Civil. Ontem, a executiva estadual definiu Diaz como seu candidato. Amigo e conselheiro de Yeda, é considerado o correligionário com melhor perfil para o cargo. O deputado foi um dos responsáveis, em janeiro, pelo acordo de paz temporário entre Yeda e Feijó que permitiu a viagem dela ao Canadá e aos Estados Unidos.



- O PSDB reivindica a Casa Civil, nunca o negamos. Mas a questão central agora é reconstruir uma base de coalizão. Não precisa ser alguém do PSDB caso assuma compromisso com o governo - avaliou Andrade.



Diaz evita comentar a possibilidade. No partido, ele abraça a tese de que a Secretaria-Geral seja extinta, e a Casa Civil, refundada, recuperando as funções originais. Em janeiro, a Secretaria-Geral, nas mãos de Delson Martini, assumiu a tarefa de administrar o cotidiano do Piratini e a agenda de Yeda, incluindo a comunicação. Martini, porém, foi envolvido no escândalo do Detran ao ser citado em gravações de conversas telefônicas entre os principais acusados da fraude. Acabou exonerado no sábado junto com Busatto.



- É uma boa idéia refundar a Casa Civil e extinguir a Secretaria-Geral porque as pastas ficaram fragilizadas com a crise. Isso simplificaria ações e daria maior poder à Casa Civil, que sairia fortalecida - explicou Diaz.



Por outro lado, há quem defenda que o PSDB mantenha Diaz em Brasília. O motivo: se o deputado se licenciar do cargo, cederá a vaga ao suplente Matteo Chiarelli (DEM), correligionário de Feijó, considerado inimigo do Piratini.



Como curinga, a governadora tem Andrade, que pode ser remanejado. Na avaliação de aliados, ele não tem experiência como negociador e não seria uma boa escolha para a Casa Civil. Seria uma opção na Secretaria-Geral, se a estrutura for mantida.



Às 10h de hoje, Yeda reunirá novamente o conselho político para discutir a reforma. O grupo é formado por dirigentes partidários. A reunião também terá a presença de senadores e deputados. A idéia é aproveitar a crise para dar maior voz ao conselho e atrair a base aliada. À tarde, ela deve começar uma rodada de conversas com cotados e conselheiros depois de passar o domingo fazendo contatos por telefone e e-mail.



- É preciso ter muito cuidado na escolha dos secretários para não termos mais fragilidades de pessoas que atinjam o governo - disse a presidente estadual do PSDB, Zilá Breitenbach.


Fonte: Zero Hora



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